sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO

Ontem, pelas 21h00, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura para a abordagem da obra "Prantos, amores e outros desvarios" de Teolinda Gersão.

Trata-se de um conjunto de 14 extraordinários contos sobre a vida de pessoas comuns, com um grande realismo, uma linguagem limpa, simples, bastante acessível e popular. No entanto, é bem clara alguma complexidade, acutilância e profundidade na sua escrita.

Segundo a crítica de Maria Alzira Seixo, no Jornal das Letras, "O que Teolinda Faz é escrever a vida" e a "vida é um cão raivoso", por isso, são os prantos, amores e desvarios de todas nós, retratando o quotidiano comum. Estão lá as frustrações, a solidão, a velhice, a crueldade das pessoas e do mundo.

O último conto "Alice in Thunderland" é uma nova variação sobre a vida de Alice e de Lewis Carroll (1832-1898) autor da obra "Alice no país das maravilhas".
Viajamos até à época da moral vitoriana, mas deparamo-nos com a excêntrica vida do reverendo anglicano, escritor, romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, matemático, fotógrafo e da sua relação enigmática com meninas menores, entre as quais Alice Lidell, que já deu origem a inúmeras teses.

A sessão foi muito agradável, divertida e muito enriquecedora. Foi bom ler Teolinda Gersão, considerada uma das maiores escritoras portuguesas da atualidade, galardoada com os mais prestigiados prémios literários nacionais, escritora-residente na Universidade de Berkeley, com alguns dos seus contos adaptados ao cinema e teatro encenados em Portugal, Alemanha e Roménia.

Como em quase todas as sessões, não faltaram as sugestões para leituras relacionadas,  como por exemplo, "O fotógrafo e a rapariga" de Mário Cláudio,  "Lolita" de Nabokov, "A rapariga do brinco de pérola" de Tracy Chevalier.

E quase sempre, um livro, um conto, um romance, remete-nos, incansavelmente, para outro e mais outro, ficando a sensação que precisaríamos de muitas vidas para satisfazer esta  imensa sede de leitura.


 
 
 




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

30 ANOS - JOSÉ AFONSO

Na passagem pelo 30º aniversário do desaparecimento do grande cantor e poeta português, o nosso Bob Dylan, destacamos alguns documentos (Cd's e livros), disponíveis na Biblioteca Municipal.


Ana Margarida de Carvalho vence Prémio Literário Manuel de Boaventura 2017

 

A escritora Ana Margarida de Carvalho é a vencedora da primeira edição do Prémio Literário Manuel de Boaventura, atribuído pelo Município de Esposende, no valor de 7500 euros.
O júri, constituído pelos professores Sérgio Paulo Guimarães de Sousa, da Universidade do Minho, na qualidade de presidente, António Manuel Ferreira, da Universidade de Aveiro, e por Maria Luísa Leite da Silva, da Câmara Municipal de Esposende, ambos na qualidade de vogal,  decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio ao romance “Não se pode morar nos olhos de um gato”, editado em 2016, sustentando que a “decisão reflete o facto de se tratar de uma obra dotada de um imaginário poderoso e servida por uma força narrativa invulgar, visível não apenas no modo denso como convoca ressonâncias intertextuais, como pelo seu invulgar merecimento estético-expressivo”.
Participaram, nesta edição, 113 títulos, provenientes tanto de Portugal como de países de língua oficial portuguesa.
A data de cerimónia de entrega do Prémio ocorrerá em data a anunciar.
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“Não se pode morar nos olhos de um gato”

Em finais do século XIX, já depois da abolição da escravatura, um tumbeiro clandestino naufraga ao largo do Brasil. 
Um grupo de náufragos atinge uma praia intermitente, que desaparece na maré cheia: um capataz, um escravo, um mísero criado, um padre, um estudante, uma fidalga e sua filha, um menino pretinho ainda a dar os primeiros passos… Todos são vencedores na morte, perdedores na vida. 
O mar, ao contrário dos seus antecedentes quotidianos, dá-lhes agora uma segunda oportunidade, duas vezes por noite, duas vezes por dia. 
Ao contrário do que pensam, não estão sós naquele cárcere, com os penhascos enquanto sentinelas, cercados de infinitos, entre o céu e o oceano. Trazem com eles todos os seus remorsos, todos os seus fantasmas. E mais difícil do que fazerem-se ao mar ou escalarem precipícios será ultrapassarem os preconceitos: os de raça, os de classe social, os de género, os de credo. 
Para sobreviverem, terão de se transformar num monstro funcional com muitos braços e muitas cabeças; serão tanto mais deuses de si próprios quanto mais se tornarem humanos e conseguirem um estado de graça a que poucos terão acesso: a capacidade de se colocarem na pele do outro.


Já disponível na Biblioteca.

 

NOVIDADES LITERÁRIAS E SUGESTÕES DE LEITURA