Mostrar mensagens com a etiqueta A noite não é eterna. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A noite não é eterna. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ANA CRISTINA SILVA VENCE PRÉMIO FERNANDO NAMORA

Noite Não É Eterna, de Ana Cristina Silva, publicado pela Oficina do Livro, foi a escolha unânime do júri do Prémio Literário Fernando Namora, presidido por Guilherme d'Oliveira Martins. 

Trata-se de "uma obra que se articula a partir da realidade social, política e humana das crianças romenas, e das suas famílias, no período da ditadura de Nicolae Ceausescu", esclarece a acta do júri, que inclui ainda José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual, e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril-Sol, instituição que atribui este prémio, no valor de 15 mil euros.

Realçando que o romance de Ana Cristina Silva é "uma belíssima composição narrativa com linguagem sóbria e cuidada, que valoriza em particular a narrativa de um drama pungente, num quadro político sufocante e obsessivo", o júri conclui: "É uma história construída sobre os labirintos da tirania". 

Guilherme d'Oliveira Martins e os seus pares assinalaram ainda a "vincada qualidade" do ano literário, adiantando que a lista de finalistas incluiu romances como O Homem que Escrevia Azulejos, de Álvaro Laborinho Lúcio, Karen, de Ana Teresa Pereira, Estoril – Um Romance de Guerra, de Dejan Tiago Stankovic, O Meças, de José Rentes de Carvalho, e Eu Sou a Árvore, de Possidónio Cachapa.  
Professora e psicóloga, Ana Cristina Silva é natural de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, onde reside, e especializou-se na área da aprendizagem da leitura e escrita, tendo desenvolvido investigação no domínio das aquisições precoces da linguagem escrita, ortografia e produção textual.
Como ficcionista, estreou-se em 2002 com Mariana, Todas as Cartas. Em 2011 foi finalista do Prémio Literário Fernando Namora com o romance Cartas Vermelhas, em 2013 venceu o Prémio Urbano Tavares Rodrigues com o romance Rei do Monte Brasil, e no mesmo ano regressou à short list do prémio da Estoril-Sol com A Segunda Morte de Anna Karénina. 

Fonte:

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CLUBE DE LEITURA - MAIO

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma participada e animada sessão do Clube de Leitura com o habitual debate do livro do mês.

Tratou-se do romance "A noite não é eterna" de Ana Cristina Silva, jornalista, docente universitária, doutorada em Psicologia da Educação, que conta já com muitos prémios e distinções no panorama literário português.

Talvez pela sua formação académica em Psicologia, a autora foca-se no lado mais profundo das personagens, nas mais simples manifestações de carinho que todo o ser humano valoriza "As mãos da mãe era pequenas, não obstante a sua figura roliça, mas foram aqueles dedos a afagarem-lhe o cabelo que lhe trouxeram a primeira tranquilidade em meses".

A contextualização história que nos é apresentada na obra é excelente, retratando-nos um período ainda muito presente nas nossas mentes, que foi o princípio do desmoronamento da ditadura comunista na Roménia e o regime totalitário do casal Ceausescu.

De escrita simples, quase jornalística somos transportados para um mundo cinzento, denso, em que quase tudo é passado no escuro, no qual não faltam a polícia política, "os agentes de Securitate", a crueldade dos orfanatos, as tentativas de apuramento da raça, a crescente perda de liberdade, o sentimento de impotência perante um poder esmagador e castrador, com algumas semelhanças com a ditadura salazarista.

Curiosamente, em 1989, Nadia, a personagem principal com um passaporte falso, faz uma viagem, confessa uma enorme curiosidade por Berlim Ocidental e conta-nos "Andou a passear sem destino. Mesmo não se afastando muito da estação, sentia o tráfego, no movimento das lojas, essa espécie de respiração ofegante de uma cidade do Ocidente. Aquele lado de Berlim devolvia-lhe a curiosidade. Em toda a parte havia pessoas bem vestidas, como se a miséria humana não habitasse nos prédios cuidados. As montras exibiam roupas soltas, esvoaçantes, acessórios femininos, malas de pele, produtos que brilhavam em coroas de luz. Naquela zona de Berlim, uma pessoa podia perder-se facilmente na disposição errática das ruas, as lojas eram imensas e surpreendentes, uma tabacaria cheia de cachimbos e revistas pornográficas, uma padaria apinhada de gente ao lado de uma sala de ópera, uma enorme livraria com todos os livros que se podiam imaginar. Nádia parava em frente das montras espantada com a abundância e a diversidade. Porém, tudo aquilo podia ser apenas uma ilusão do tamanho de um gigantesco cartaz publicitário, como diziam no seu país".

Em Novembro de 1989 acontece a queda do Muro de Berlim e dá-se a unificação das duas Alemanhas. 

Mas, apesar da simplicidade do romance, deparámo-nos com esta sábia e verosímil citação "Todas as vizinhas a evitavam desde que o marido fora preso, mas a do rés-do-chão, na sua idade avançada, não suportava inimizades."

A maturidade não suporta inimizades.

Boas leituras!