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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SESSÃO COM NUNO CAMARNEIRO

Ontem, pelas 21h30 decorreu a sessão com o escritor Nuno Camarneiro, com a presença de muitos admiradores e elementos do Clube de Leitura.

Para falar da sua obra, foi convidada a Dra. Cristina Marques, Mestre em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e docente na Escola Secundária Oliveira Júnior, que começou por nos falar das principais características da obra, de estética pós-modernista, mas podendo-se enquadrar, de alguma forma, na literatura clássica. 

A narrativa do autor apresenta fragmentos de poeticidade, é bastante polifónica, na qual pululam dramas que se identificam com todos nós como um convite a entrar e identificar-se com as personagens.

Nuno Camarneiro utiliza uma escrita metafórica e auto reflexiva, na qual se exploram apartamentos com janelas, como gavetas e espaços sigilosos.

O autor revelou-nos que se inspira muito nos textos da Bíblia e no caso do livro "Debaixo de algum céu", na Divina Comédia de Dante.

Em  "Debaixo de algum céu" pretendeu recrear a nostalgia da aldeia, num prédio aldeia-vertical, num ambiente urbano e com acontecimentos que são motivo para que as pessoas sejam levadas a interagir, como por exemplo numa tempestade, envolvendo diversos níveis etários e classes sociais.

O prémio Leya, foi realmente importante como que um reconhecimento e muito motivador, mas  devido à actividade profissional, (pois é professor e investigador) não valoriza muito,  escreve por puro prazer e não se consegue imaginar sem esta actividade.

Considera essencial o exercício da escrita que o remete para uma maior empatia humana, porque segundo Camarneiro "a literatura torna-nos mais humanos" e com uma maior sensibilidade que nos coloca no lugar do outro, o que faz toda a diferença para compreender quase todas as questões.

Nuno Camarneiro é também autor de um blogue Acordar um dia, com textos literários e muitos poemas, pelo que lhe foi lançado o desafio: para quando um livro de poesia?

Obrigada Nuno e ficamos à espera de ler ou "ouvir palavras"!




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

CLUBE DE LEITURA - "Debaixo de algum céu" de Nuno Camarneiro

Na noite de ontem, decorreu mais um encontro do Clube de Leitura da Biblioteca, para conversar sobre a obra escolhida "Debaixo de algum céu" do jovem e premiado escritor Nuno Camarneiro. 

Em modo de introdução fez-se uma contextualização da obra, de características pós-modernas, muito "rente" à poesia, ou seja, em certas passagens estamos perante prosa poética. 

Leu-se também um texto do crítico literário António Guerreiro que ora o aproxima ora o afasta de modelos como George Perec. 

A partir de um tema banal que outros grandes escritores já tomaram, o narrador vai estruturando esta narrativa num big-brother alucinante de dramas humanos, sediada num espaço de um prédio de habitação, numa história de portas adentro, sem barreiras, no entanto com muitas janelas de comunicação com o exterior marítimo e com personagens que nos trazem coisas da praia, em que até um dos personagens  se chama Vento...

De modo alegórico, num relato fragmentário e polifónico, todas as personagens estão dominadas pela "Pathos", dor, sofrimento, pontuada por algumas alegrias e decisões irreversíveis, remetendo-nos para a vida real, do dia-a-dia de todos nós. 

Salientou-se também que, apesar de Carmarneiro ser muito jovem, a sua sensibilidade e inteligência só podem ser razões para nos apresentar mundos cheios desta densidade emocional e plenos de maturidade.

Para a próxima sessão, que será em 30 de Janeiro de 2013, a obra seleccionada foi "A infância de Jesus"  de J. M. Coetzee, escritor sul africano, Prémio Nobel da Literatura 2003, Prémio Man Booker e Prémio Jerusalém.

Até lá, Bom Natal e Boas Leituras!



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Prémio Leya 2012, “alegoria do mundo contemporâneo” de Nuno Camarneiro






Entre recados ao secretário de Estado da Cultura sobre o regime fiscal dos livros electrónicos e com Manuel Alegre e Cavaco Silva a sublinharem a importância da língua e a urgência da “consolidação do espaço lusófono”, respectivamente, Nuno Camarneiro recebeu esta quarta-feira o Prémio Leya 2012. O mais importante prémio literário português (100 mil euros) foi para o recém-editado Debaixo de algum céu, livro que Alegre, presidente do júri, descreveu como “um retrato de uma microsociedade”, “uma alegoria do mundo contemporâneo”.

O vencedor, que recebeu “uma chamada telefónica sonhada mas pouco esperada” em Dezembro anunciar que o seu inédito fora escolhido pelo júri entre seis outros finalistas e cerca de 270 candidatos que se apresentaram, tal como ele, sob pseudónimo, dedicou o prémio à sua bisavó. “Não sabia ler”, mas educou três gerações que viram o seu nível de escolaridade aumentar com a passagem das décadas, evolução de um país que Camarneiro, investigador das Universidades de Aveiro e Portucalense e formado em Engenharia Física, teme que hoje se corra o risco de perder. “Espero que saibamos ler os tempos”, apelou num hotel em Lisboa, na presença do Presidente Aníbal Cavaco Silva e do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.






segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Prémio Leya 2012 para Nuno Camarneiro




É um "romance urbano" à volta de um prédio de apartamentos à beira-mar. O prémio, no valor de 100 mil euros, é dado pelo grupo editorial Leya.

À quarta edição o Prémio Leya (100 mil euros) vai pela segunda vez para um autor português: Nuno Camarneiro, de 35 anos, vence com Debaixo de Algum Céu . Um romance que é uma "exploração da ideia de purgatório" segundo o seu autor.
Camarneiro tinha já uma obra publicada com a Leya, intitulada No Meu Peito Não Cabem Pássaros. A obra vencedora deverá ser publicada em Março e foi escolhida “por maioria” por um júri presidido por Manuel Alegre. 

O júri "apreciou no romance Debaixo de Algum Céu a qualidade literária com que, delimitando intensivamente a figura fulcral do 'romance de espaço' e do 'romance urbano', faz de um prédio de apartamentos à beira-mar o tecido conjuntivo da vida quotidiana de várias personagens - saídas da gente comum da nossa actualidade, mas também por isso carregadas de potencial significativo". 
O romance, continua o júri, que é um "retrato de uma microsociedade unida pelo espaço em que vivem os personagens", organiza-se a partir de um conjunto de vozes que dão conta de vidas e destinos que o acaso cruzou num período de tempo delimitado entre um Natal e um  Fim do Ano".

Além de escritor, Camarneiro, que nasceu na Figueira da Foz, é investigador e professor. Foi membro do GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e do grupo musical Diabo a Sete, tendo ainda integrado a companhia teatral Bonifrates. Trabalhou no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) em Genebra e concluiu o doutoramento em Ciência Aplicada ao Património Cultural em Florença. 

Em 2010 regressou a Portugal, sendo actualmente investigador na Universidade de Aveiro e professor do curso de Restauro na Universidade Portucalense do Porto. Começou por se dedicar à micronarrativa, tendo alguns dos seus contos sido publicados em colectâneas e revistas. No Meu Peito não Cabem Pássaros foi a sua estreia no romance. O júri diz ainda que a escrita "é precisa e flui sem ceder à facilidade, mas reflectindo a consciência de um jogo entre o desejo de chegar ao seu destinatário, o leitor, e um recurso mínimo a artifícios retóricos em que só uma sensibilidade poética eleva e salva a banalidade e os limites do quotidiano". 

Veja mais em: http://publico.pt/1577709