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terça-feira, 18 de novembro de 2014

HOMENAGEM A MANUEL ANTÓNIO PINA


NA BIBLIOTECA

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’


Manuel António Pina (1943-2012)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Faleceu Manuel António Pina

Faleceu Manuel António Pina, aos 68 anos, no hospital de Santo António no Porto, onde estava internado desde o verão passado. 

Jornalista, colunista e poeta, foi galardoado com o Prémio Camões o ano passado e recentemente tinha publicado uma colectânea "Todos as palavras". 

Manuel António Pina nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 18 de Novembro de 1943. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Era jornalista do Jornal de Notícias desde 1971, tendo colaborado noutros órgãos de comunicação social da imprensa, do rádio e da televisão. Ganhou vários prémios, de que se destacam o Prémio Calouste Gulbenkian - Melhor Livro Publicado em Portugal em 1986/1987 com a obra O Inventão, e o Prémio Nacional de Crónica Press Club/Clube de Jornalistas com a obra O Anacronista (1994). Tinha sido premiado anteriormente, dentro e fora de Portugal. A sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol, holandês e russo.Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e inspiraram programas de televisão.

A biblioteca possui grande parte das suas obras, aventure-se na sua leitura.