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sexta-feira, 27 de julho de 2018

CLUBE DE LEITURA - JULHO


Ontem, pelas 21 horas, na Biblioteca Municipal, decorreu a sessão do Clube de Leitura de Julho, com a abordagem do livro "O fiel defunto" de Germano Almeida, Prémio Camões 2018.

Todos os livros publicados por Germano Almeida anteriores ao "O fiel defunto" eram obras cuja temática abordava a fome, a seca e a emigração.

Com esta obra o autor rompe com a seriedade e o elitismo na sua literatura e usa o humor, a sátira e uma ironia refinada, que nos remete a Eça de Queirós, escritor que o terá influenciado, assim como Jorge Amado e Gabriel Garcia Marquez.

Quando se pensava que estávamos perante uma obra dramática, com o assassinato violento de um prolífico escritor, que prometia ser uma saga policial e um momento de lamentações, eis que nos é apresentada uma sátira social, na qual é usado o escárnio e mal dizer, mas com algum carácter pedagógico.

A obra centra-se essencialmente na crítica ao poder político que passa a sobrevalorizar o escritor/artista praticamente só após a sua morte, mas também toda a sociedade cabo-verdiana se vê ali retratada, ou qualquer outra do mundo dito civilizado, pois são acontecimentos intemporais e transversais a todas.

A prosa é fluída, sobressaindo uma imaginação e criatividade prodigiosa, muito agradável de ler.

O autor leva-nos a Cabo Verde através dos seus usos e costumes, arquitetura, não faltando a gastronomia com a moreia frita e a doçaria típica, quando refere "...e lembrou-se de um bolo de chocolate de grande qualidade que a pastelaria Morabeza fabricava e de que Matilde se disse apaixonada".
Morabeza é nome de pastelaria e nome de bairro do Mindelo, mas tem um significado próprio, significa afabilidade, amabilidade, gentileza, posturas que melhor definem o espírito e a cultura cabo-verdiana em que até a ironia é muito mais suave.


Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Mindelo em abril de 2017 e disse, num discurso aí proferido: 

 “Onde há morabeza, há saudade. Há saudade, porque há morabeza”.

Com tanta informação sobre Cabo Verde ficou a vontade de um dia, mergulhar e deambular por lá  e quem sabe cruzar com Germano Almeida, que tanto nos divertiu.



 



terça-feira, 22 de maio de 2018

O ESCRITOR CABO-VERDIANO GERMANO ALMEIDA É O PRÉMIO CAMÕES 2018





O vencedor do Prémio Camões 2018 é o escritor cabo-verdiano Germano Almeida. O escritor, que nasceu na ilha da Boavista em 1945, tem a sua obra publicada em Portugal pela editora Caminho, que em breve editará o seu mais recente romance, O Fiel Defunto. Estreou-se como contista no início da década de 80 e o seu primeiro romance, O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, teve os direitos vendidos para vários países e foi adaptado ao cinema por Francisco Manso. 







Fonte: https://www.publico.pt/2018/05/21/culturaipsilon/noticia/e-o-premio-camoes-vai-para-1830809



Obras do autor disponíveis na Biblioteca Municipal:

  • Estórias contadas : crónicas
  • Os dois irmãos : romance
  • A família Trago : romance
  • Estórias de dentro de casa : novelas
  • O meu poeta : romance
  • O testamento do sr. Napumoceno da Silva Araújo
  • A ilha fantástica