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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

CLUBE DE LEITURA - JANEIRO

Na passada 5ª feira, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez para a abordagem da obra "O ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago.

Em boa hora fomos brindadas com a presença de um dos elementos do Clube, que é especialista também nesta obra. Daí que se tornou ainda mais fascinante perceber a sua complexidade e alguma simbologia que não se vislumbra facilmente.

Esta obra é um verdadeiro tratado  de intertextualidade, ou seja, Saramago recria uma personagem a partir de outra,  já criada por Fernando Pessoa.

Foi uma das obras prediletas de Saramago, em que o protagonista é Ricardo Reis,  um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que desembarca em Lisboa, em 1936, vindo do Brasil onde se havia refugiado por motivos políticos.

Este trágico ano é para Saramago o verdadeiro protagonista do livro, por ser o ano em que ocorreram factos terríveis.  As camisas verdes dos salazaristas aliam-se às camisas negras, castanhas, azuis dos fascistas, nazis e falangistas. Há a guerra na Etiópia e uma revolta militar conduz Espanha à Guerra Civil.
O espectador é Ricardo Reis  que assiste a todos estes acontecimentos e Saramago, através da sua mestria literária, conduz-nos a esta sombria época, que mais tarde vem a degenerar na 2ª Guerra Mundial.

Conhecemos Ricardo Reis, como um dos 4 heterónimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, imaginado em 1913. Nasceu no dia 19 de setembro de 1887, natural do Porto, de educação jesuítica, possuía uma formação clássica, latinista e semi-helenista, adquirida de forma autodidática. Gostava de andar a cavalo e comportava-se como um aristocrata. Na sua biografia não se sabe a data da sua morte. Publica  as suas 8 odes entre 1927 e 1930, na revista Presença, de Coimbra. 
Torna-se médico e por ser monárquico expatriou-se de livre vontade para o Brasil.
Quando regressa a Portugal abre um consultório para tentar a sua reinserção na sociedade, mas Reis é um homem cheio de contradições.

Ana Paula Arnaut, docente da Universidade de Coimbra, no congresso Internacional “José Saramago: 20 anos como Prémio Nobel”, afirma que “Para compormos o retrato do ‘outro’ Ricardo Reis, de Saramago, que é também o ‘um’, de Pessoa ou vice-versa, há que entrar no jogo, tão ao gosto do poeta modernista, e fingir tão completamente que chegamos a fingir aceitar como pessoa a pessoa que deveras o é”, disse, tendo em mente o célebre poema pessoano “Autopsicografia”.

É efetivamente uma criação Pessoana reajustada do universo alternativo que o romance de Saramago consubstancia.

Reis não fica indiferente ao espetáculo do mundo em que viveu, em 1936,  ano em que deflagrou a  Guerra Civil Espanhola, em Portugal ocorreu o levantamento contra a ditadura de Salazar com a Revolta dos Marinheiros.
A diferença entre Ricardo Reis e o original decorre não só da dimensão carnal que vive, em nítido abandono do estoicismo porque o outro pauta a sua vida.

O Ricardo Reis de Saramago é-nos apresentado com algumas características semelhantes ao original, mas aqui não é tão apático, é sentimental, culto, informado, sensível e humano.

Apesar da obra não ser considerada um romance histórico, há uma  grande riqueza de factos históricos, sociais, políticos, sentimentais, etc. 
Tão rica que até nos surge uma personagem feminina muito interessante, "Lídia à beira rio", uma mulher com M grande, humilde, analfabeta, mas segura de si, emancipada, que decide ter um filho de Ricardo Reis.

Há muito de Saramago nesta obra, a sua ideologia política está expressa em alguns momentos e também quando refere na página 188  que "...a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou alguma coisa que está dentro de nós…" 

Esta é uma obra emblemática, que certamente lhe exigiu não só um profundo conhecimento da obra pessoana, mas também um grande estudo daquele período histórico, o que fez Pilar del Rio vir de Espanha a Portugal, conhecer Saramago, fazê-lo viver uma paixão avassaladora e acabar com a sua solidão.






  



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO - 3º ANIVERSÁRIO

Ontem, pelas 20 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura da Biblioteca, desta vez abordando a obra "As intermitência da morte" de José Saramago.
Mas, ontem no Clube de Leitura também foi dia de comemoração.
"Terceiro era o aniversário…

E, mais uma vez, debaixo de algum céu, fomos noite de mulheres cantoras. Cantámos a alegria de ler, cantámos 32 serões onde fomos Jesus, budas ditosos, transparentes…no admirável mundo novo da leitura, do sorriso e da Amizade e brindámos aos nossos laços de família…

Terceiro era o aniversário…

As palavras cruzaram sabores à mesa ; as palavras trouxeram os escritores e fomos tantos… e sempre a metade maior!

Terceiro era o aniversário deste espaço-tempo-ser, Clube de Leitura, criança nascida por nós em nós, mulheres, que somos onda e cotovia, sem fim à vista, em noites de inverno, que viajarão sempre do cinzento ao azul celeste.

Terceiro era o aniversário e foi azul, muito azul o nosso menino, Clube de Leitura…

 Terceiro era o aniversário…"


C.M.









quarta-feira, 8 de maio de 2013

Um novo Saramago, por várias vozes

O livro A Estátua e a Pedra, já publicado em Itália, é esta quarta-feira lançado em Portugal numa edição bilingue, em português e espanhol. Um texto em que José Saramago se explica e à sua obra, e que fomos escutar nas vozes de quem acompanhou de perto o Nobel português.






sábado, 4 de maio de 2013

Feira Internacional do Livro de Bogotá

Na Feira Internacional do Livro de Bogotá venderam-se mais de 10 mil livros de autores portugueses

José Saramago foi o autor mais vendido na livraria do Pavilhão de Portugal, país convidado da Feira Internacional do Livro de Bogotá, que terminou quarta-feira, seguido de Fernando Pessoa e Afonso Cruz.

 
A Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), que teve Portugal como convidado de honra, fechou portas, na quarta-feira, com mais 18 mil visitantes do que em 2012. Ao longo dos 14 dias do evento passaram pela FILBo 433 mil pessoas, mais 18 mil do que na edição anterior, altura em que o evento atraiu 415 mil visitantes, indicou a organização.
Só na Noite dos Livros, na passada sexta-feira, dia em que a feira promoveu entradas gratuitas entre as 18h e as 22h, passaram pelo pavilhão de Portugal 60 mil visitantes.
Na livraria do Pavilhão de Portugal, que tinha disponíveis para venda 20.000 exemplares (15 mil em língua portuguesa e 5 mil em língua espanhola), venderam-se mais de 10.500 livros de autores portugueses. O Brasil, país convidado do ano passado, tinha ficado nos 8 mil exemplares de livros vendidos. “Portugal bateu todos os recordes de vendas nos 26 anos de FILBo”, divulgou em comunicado a organização.
Entre os autores mais vendidos naquela livraria está em primeiro lugar o prémio Nobel da Literatura portuguesa, José Saramago, seguido de Fernando Pessoa, de Afonso Cruz e do catálogo da exposição de ilustração Como as Cerejas (que podia ser vista no espaço do Pavilhão de Portugal).


sexta-feira, 18 de junho de 2010

A ÚLTIMA VIAGEM DE JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)

" Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam."

O Livro dos Itinerários
in "Viagem do elefante"


O escritor português José Saramago morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 87 anos. Um dos maiores nomes da literatura mundial, Saramago foi o único escritor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel de Literatura, em 1998, e teve suas obras publicadas em mais de 30 países.


Nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas.
Publicou o seu primeiro livro, um romance "Terra do Pecado" em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".
Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias".
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
Foi escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.

A sua vasta obra encontra-se disponível na recepção da Biblioteca.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DE PASSAGEM... POR JOSÉ SARAMAGO

Comemorando o seu 87º aniversário a 16 de Novembro, a exposição bibliográfica de Passagem... pretende divulgar a magnífica e diversificada obra do Nobel da Literatura de 1998.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A MAIOR FLOR DO MUNDO - JOSÉ SARAMAGO



Atelier para alunos dos 1º e 2º ciclos do Ensino Básico


Manhã : 10,00-11,00 e 11,00-12,00 h
Tarde: 14,00-15,00 h.

Sala Polivalente
Biblioteca Municipal S. João da Madeira


A Maior Flor do Mundo é um dos dois livros de José Saramago destinados ao público infantil e juvenil.

Na história ficamos a conhecer um menino que sai de casa e encontra uma flor murcha no cimo de uma colina. Será que o menino salva a flor?

Neste livro, José Saramago, com a sua escrita incomparável, transporta-nos para o universo da infância e coloca-nos perante uma questão tão actual como a da ecologia.

A Fundação José Saramago, que tem entre os seus princípios orientadores a defesa do meio-ambiente e a promoção da leitura resolveu então, a partir deste livro, conceber um atelier para alunos dos 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico onde os alunos brincam com as palavras, ouvem a história e vêem e ouvem o filme de animação realizado por Juan Pablo Etcheverry com música de Emílio Aragon.

quinta-feira, 12 de março de 2009

"Viver com os outros" de Isabel da Nóbrega



  • Nasce em Lisboa

  • Publica o seu primeiro livro “Os anjos e os homens” em 1952

  • Em 1964, obtém o prémio Camilo Castelo Branco com o romance “Viver com os outros”, a sua obra mais marcante, disponível na Biblioteca Municipal.

  • Foi cronista na imprensa e na rádio

  • Em 2000 é condecorada com o grau de Grande Oficial da Ordem do Mérito

  • No ano de 2008, recebe o Prémio Consagração da Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.

ISABEL DA NÓBREGA, escritora, cronista e divulgadora cultural, quebrou regras, fez amizades com grandes intelectuais (Vieira da Silva e Arpad Szenes, Vergílio Ferreira, Fernanda Botelho, etc.), recebeu prémios e condecorações. Foi companheira do crítico literário João Gaspar Simões e de José Saramago. Descobriu o potencial do Nobel antes de todos: levou-o para o mundo dos jornais, incentivou-o a escrever crónicas e livros, ajudou a dar forma a Blimunda do Memorial do Convento.
Recentemente, revelou-nos numa interessante entrevista à revista Tabu, do Jornal Sol, algumas curiosidades que divulgamos neste pequeno excerto… «Quanto à Blimunda [protagonista de ‘Memorial do Convento’]: ele escreveu o livro, eu disse que não queria lê-lo senão no fim e, quando comecei a ler, o que vi? O nome [Baltasar]» Sete-Sóis e ela era Mariana Amália. E eu: ‘Mariana Amália?! Mas ele endoideceu! Não há direito de pôr Mariana Amália na figura desta mulher.’ Chamei-o: ‘Está lindo, está tudo certo menos uma coisa que tens de emendar – Mariana Amália. Tem paciência, quando foste à biblioteca e recolheste nomes de época, hás-de ter encontrado um que se possa ver’. Ele voltou para a secretária – isto para aí à uma da manhã –, e daí a um bocado apareceu e começou a dizer nomes. Ouvi ‘Blimunda’, pedi-lhe que voltasse atrás e, quando repetiu o nome: Ó Zé, parece impossível! Como é que tinhas este nome na tua lista e não viste que aquela mulher é exactamente Blimunda?’. Pegou no manuscrito, que era enorme, e foi emendar tudo, tirar Mariana Amália e pôr Blimunda.»