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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO

Na passada 5ª feira, pelas 21h00, decorreu a sessão de novembro do Clube de Leitura que se debruçou sobre a obra “Um Espião Perfeito” de John Le Carré.

As mais de 600 páginas e a baixa temperatura dessa noite causaram algumas ausências, é verdade,  mas não impediram a habitual boa disposição durante a partilha das impressões que o livro deixou  nos participantes.

O romance mais autobiográfico de John Le Carré decorre no período da Guerra Fria, atravessando a vida do espião “Magnus Pym” até ao fim, num estilo conservador mas bastante complexo dado o tempo e espaço diegéticos, a alternância constante de narrador e uma complexa rede de personagens e nomes de código que, graças a “Jack Brotherhood”,  vamos associando na ânsia de identificar as “toupeiras”.

Para além do que já foi publicado, no blogue sobre este  “acerto de contas”, o que incomoda no livro é o retrato que o autor nos dá da fragilidade do trabalho das agências de informação da época (e de hoje?), da promiscuidade entre os poderes em presença – religião, política, indústria e governos ­–  cujas decisões tão perto nos deixaram de catástrofes nucleares iminentes. 

Para terminar, apelando ao “espião” que há em todos nós, talvez fosse interessante revisitar aquele período da nossa história e resolver as dúvidas que ainda permanecem.

Boas leituras!




sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO

Apesar do frio intenso e da chuva torrencial, a sessão do Clube de Leitura decorreu animada, em boa companhia, com um chá quente, perfumado, bioartesanal, Mistura da Casa (lúcia-lima, erva-príncipe, bétula e pétalas de rosa), produzido por Tiago Oliveira.

O livro abordado "Ficções" de Jorge Luís Borges, considerado um dos "monumentos literários mais deslumbrantes do século XX",  embrenha-nos no universo labiríntico borgiano, num "diálogo entre a ficção e a realidade, ciência e fantasia", numa trama de "complexa metafísica inquietante". 

Os temas são o "infinito, os jogos de espelhos, a cabala, os enigmas dos detetives, o destino, o tempo, o fascínio da palavra".
Respira-se o "espírito atemporal", universal, a infinitude do mundo das Bibliotecas, do conhecimento e a sua memória infinita.

Borges nasceu Buenos Aires em 1899 e faleceu na Suíça em 1986.
Mas, para melhor compreender a sua obra é importante saber que, após um acidente ficou cego e a partir daí o seu mundo passou a ser diferente. Para alguns estudiosos, a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro"
Para algumas, uma leitura difícil, estranha, inquietante e surrealista, com as histórias apresentadas de forma tão invulgar que se sentiram pouco confortáveis.

No entanto, para outras, depararam-se com um conjunto de contos, nos quais lhes surgiu um mundo fantástico, num exercício de criação artística literária de liberdade ilimitada, sem amarras, onde tudo é possível até ao infinito.

A mais curiosa, viajou de pesquisa em pesquisa e para surpresa de todas, José Saramago numa conferência em Bérgamo, faz referência a uma personagem do conto de Borges,  "Análise da obra de Herbert Quain".

Saramago com a sua ironia e humor que lhe são muito comuns, delicia-nos com esta conferência da qual apresentamos este pequeno extracto.

"Ora, não é necessário ter estudado lógica intuicionista para compreender que duas proposições contraditórias não podem ser, ambas, falsas. Como se aplica isto a Ricardo Reis e a Herbert Quain? Aceitando, ainda que com recurso ao paradoxo, que se um deles é autêntico, também o pode ser o outro. Além disso, temos a prova do livro. Ao desembarcar em Lisboa, o poeta Ricardo Reis, por esquecimento, não devolveu The god of the labyrinth à biblioteca. São coisas que estão sempre a suceder, esquecer-nos de devolver um livro….

Creio ter apresentado provas suficientes da existência real de Herbert Quain. Faltou-me, materialmente falando, a prova que nos faria a reconhecer em Quain essa qualidade de autor, isto é, um livro chamado The god of de labyrinth. Lamento a minha insuficiência. E lamento mais ainda que já seja demasiado tarde para chamar a este tribunal as testemunhas mais idóneas: Ricardo Reis e Jorge Luis Borges.
Permita-se-me ainda um último comentário. O facto indesmentível de Ricardo Reis ter tido em seu poder o livro de Quain autorizou-me a vir a Bérgamo participar num colóquio sobre o autor de Ficciones. Suponho ter ficado igualmente demonstrado que Borges não tinha uma informação completa sobre um escritor que ele supôs ter apenas imaginado e sobre o livro que lhe atribuiu. Devemos esperar tudo, principalmente o que nos parecer impossível, quando heterónimos, pseudónimos e similares se põem a viver por sua própria conta. Dividida entre o respeito que deve ao que Borges escreveu sobre Quain e o testemunho definitivo de Ricardo Reis, a cidade de Bérgamo não saberá, neste momento, o que pensar. Dêmos tempo ao tempo, esperemos que as paixões acalmem. A verdade acabará por triunfar."
Leiam na totalidade em:

Resultado do mundo infinito do conhecimento, descobrimos também que há um músico português com o nome artístico de Herbert Quain, que podem escutar aqui:

Por hoje, vamos ficar por aqui...😊





sexta-feira, 27 de novembro de 2015

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura com a abordagem do romance  "A noite das mulheres cantoras" de Lídia Jorge, obra que tem sido alvo de estudo nas universidades brasileiras.

Trata-se de um romance, de grande densidade poética, que nos conduz ao final dos anos oitenta, do século XX, com alguma contextualização histórica, mas também onde as relações sociais e universo psicológico são marcantes.  

É uma parábola social muito actual, em forma de monólogo, onde sobressaem a audácia, a idolatria e a construção do êxito (a qualquer preço) no mundo da música,  rica em dualidades como a cumplicidade e competitividade que envolve os personagens. Tal como na realidade, em que quase nada ou ninguém é como se nos apresenta, há sempre um lado obscuro que não conhecemos e devemos respeitar.

Segundo Miguel Real este romance "é um poderoso aguilhão da memória pessoal", porque quem vivenciou este período em Portugal pode-se rever e recordar a sépia, mas quem não o viveu, não deixa de ficar bem elucidada.

Um romance íntimo, envolvente, que faz pensar...

(...) Alguém já viu marcar um animal? O meu pai sempre anestesiava o gado, dizia que um ferro em brasa não lhe atingia o pêlo mas a alma. O meu pai acreditava que todos os animais tinham uma alma, e nunca tinha lido Aristóteles. Há saberes que passam directamente da superfície da terra para a nossa alma através das plantas dos nossos pés e nós julgamos que nos são dados pela Filosofia e pela Ciência. Não são. Aquele conhecimento era só dele. Do meu pai.  (pág. 277)


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

CLUBE DE LEITURA COM VISITA-SURPRESA DE PEDRO GUILHERME-MOREIRA

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura sobre a obra "Livro sem ninguém" do escritor e advogado portuense Pedro Guilherme-Moreira, que nos proporcionou uma visita-surpresa.
A sessão foi animadíssima e a sua simpatia gerou um momento muito especial para o Clube.
Desafiamos a Profª Cristina Marques a fazer uma crónica sobre a sessão, que será publicada em breve.
O autor ofereceu à biblioteca dois exemplares da sua outra obra "A manhã do Mundo" e ficou a promessa de voltar para uma sessão pública.
Obrigada Pedro pela tua presença!